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10/05/2007 15:22
A visita do Papa
Se o Papa vai para o céu por praticar o bem, esse Papa precisa praticar mais. É necessário que o mal que me foi causado ontem pela sua visita seja reparado. Fiquei uma hora espremido no metrô para percorrer um trecho que me leva aproximadamente a metade desse tempo.
Quem é esse sujeito? O que é um homem religioso?
Eu vou dizer.
Um homem religioso é alguém que jogou a vida fora. É alguém que viu o mundo passar na sua frente mas não conseguiu fazer parte dele. É um ressentido por causa disso, que encontra como meio de existir matar os que estão vivos, reprimir o que estão livres. Tudo o que há de divertido, vivo e alegre esses sacerdotes se põem contra. E um deles, só um, que se destaca dos outros pela sua ambição e seu cinismo vem para cá e causa esse frenesi febril e atormentado no continente inteiro. Hoje ele pode olhar para fora, ver tudo o que ele perdeu e acenar para a gentalha. E fica a ralé em pé e desconfortável só para olhar para um sujeito que é contra o uso da camisinha, que é contra o aborto e que em geral pensa que um ser humano é uma propriedade (ovelha) daquele que ele chama de deus, quando era ele mesmo que queria ser o próprio deus. Veja bem, ele quer reduzir o ser humano a uma ovelha.
Hoje ele deve estranhar o conforto em que vive e a multidão que ele arrebanha. Um inútil que nunca fez nada sobre sua vida: nem beijar uma menina, nem melhorar efetivamente a vida de ninguém. A visita do papa é como uma copa do mundo: uma enorme demonstração de fé e de união, e que quando termina continua tudo a mesma merda. A ocupação de um Papa consiste em pedir a paz no mundo e falar contra o sexo. Mas eu aposto que ele batia sua punhetinha escondida quando a natureza o chamava, isso considerando que ele não imolava crianças com sua bendita rola papal. Não tem jeito: o sexo e o dinheiro movem o mundo. Para alguns move para a frente (a maioria) e para outros move para trás (religiosos em geral). Por mais que falem da fé e do amor e de sei lá que bosta, o sexo e o dinheiro movem o mundo. Aliás, a fé é algo que depositamos sobre aquilo que possa nos gerar sexo e dinheiro (ou poder em suas diversas formas).
Eu pregava o ateísmo e o agnosticismo como meio de vida. Uma forma de superar alguns demônios e seguir em frente, rumo a uma vida mais elevada. Mas hoje acho que mudei um pouco de idéia, já que quando se é ateu se tem aquela sensação constante de ser zombado. Por exemplo, quando se está apertado no metrô com a turba bufando na sua cara e pisando no seu pé por causa de um velho pedófilo que vem da casa do caralho dar tchauzinho para a gentalha frenética de dentro de um aquário em cima de um carro. E tudo isso porque dizem que desceu um judeu do céu para ser crucificado por causa dos meus pecados. Dizem inclusive que existem os pecados. Isso só pode ser brincadeira.
Nós apostamos em deus, não deu certo. Apostamos na seleção brasileira, não deu certo. Apostamos no Lula, não deu certo. Apostamos no Ipod, não deu certo. Vem aí o second-life! Francamente, vá para a puta que pariu!
enviada por El Matador
29/03/2007 14:31
(Trechos retirados do Tratado sobre a honra e A. Shopenhauer)
Nesse tratado, Shopenhauer fala sobre a honra em duas partes. Na primeira, ele discorre sobre a honra e a verdade e na segunda sobre a honra cavalheiresca, concluindo o tratado sobre uma consideração sobre esses dois tipos de honra. Os trechos a seguir foram retirados do capítulo sobre a honra cavalheiresca, e os últimos parágrafos que contém considerações (do próprio Shopenhauer) sobre esse tipo de honra. Divirtam-se.
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Não pode ser verdadeiro o ditado que se escuta frequentemente, a honra vale mais do que a vida. Pois a honra é apenas um meio para se obter aquilo que torna a vida agradável ou suportável. Além disso, uma vez que se perde a vida, ela não pode ser readquirida; no entanto é possível reconquistar a honra.
(...)
Quando a honra for ferida, ela pode ser restabelecida de imediato e por completo com um único método universal, o duelo. Se porém, o ofensor da nossa honra não pertença à classe dos que são reconhecidos no codex da honra cavalheiresca, (...) matá-lo logo.
Mas, se, (...) o ultrajado quiser evitar essa solução extrema, (...) um paliativo é o avantage, que consiste no seguinte: se o outro foi rude, ser ainda mais rude; senão der certo com os insultos, golpear. Nesse caso também se encontra um clímax de salvação da honra: bofetadas se curam com bastonadas, e estas com chicotadas, contra as quais alguns recomendam o ato de cuspir como sendo eficaz.
(...)
Se alguém demonstra durante uma discussão um conhecimento de causa mais correto, (...) ou um juízo mais sensato, (...) podemos eliminar esta ou qualquer outra superioridade, (...) por meio da grosseria: uma grosseria supera e vence qualquer argumento.
(...)
O supremo tribunal da honra (...) é o da superioridade física, isto é, da animalidade. Toda grosseria é, de fato, uma apelação para a animalidade, pois declara incompetente a luta das forças intelectuais ou dos direitos morais. (...) A honra cavalheiresca poderia ser chamada, de modo bastante apropriado, de honra do mais forte. [A ironia é percebida com mais evidência em alemão, pois a expressão empregada por Schopenhauer, Faust-Recht, direito do mais forte, significa literalmente direito do punho e, portanto, Faust-Ehre é literalmente a honra do punho.]
(...)
Muitos dos que foram inoculados desde a tenra juventude por esses princípios, (...) nutrem em relação a eles um respeito profundo e sincero e estão (...) prontos para sacrificar (...) a própria felicidade, a paz, a saúde e a vida. (...) Os seguidores do código de honra consideram seus princípios como surgidos da natureza humana e, portanto, como inatos.
(...)
Eu diria que os gregos e romanos também foram sondados e mesmo verdadeiros heróis (...): o duelo não era coisa dos nobres do seu povo, mas de gladiadores a soldo, de escravos abandonados e de criminosos condenados que, alternando-se com bestas ferozes, eram atiçados uns contra os outros para divertimento do povo. Quando, certa vez, um chefe teutônico desafiou Marius para um duelo, este mandou diser-lhe: Se ele está cansado da vida, que se enforque.
(...)
Quão pouca noção até mesmo os maiores heróis tinham do significado terrível de um golpe é demonstrado por Plutarco em seu relato sobre Temístocles, (...) que Euribíades levantou a bengala para golpear Temístocles, mas este nem ao menos pôs a mão na espada, dizendo apenas: Golpeia-me, mas ouve-me. (...)
(...)
Quando alguém deu um pontapé em Sócrates porque seu moralizar o desagradava, ele o suportou pacientemente e disse a quem se espantou: Se um asno tivesse me batido, teria eu o acusado em juízo?. (...) Crates tinha irritado com suas indiretas o músico Nicodromo, que, por isso, deu-lhe uma bofetada tal que seu rosto ficou inchado e ensangüentado. Crates pendurou então sobre sua testa, acima da face golpeada, uma tabuleta com a inscrição Nicodromos fecit (...) para que todos pudessem ver a infâmia daquele citaredo, que cometera tal brutalidade contra um homem que era honrado como um semideus.
(...)
O mesmo fez Diógenes quando recebeu golpes de alguns jovens (...). Numa carta sobre isso (...) ele diz: (...) O corpo de Diógenes foi com efeito golpeado, porém sua virtude não foi ultrajada, pois, por gente desprezível, não se pode nem ser honrado, nem ultrajado.
(...)
Como vemos, os bons antigos consideraram que a palavra e o ato podem trazer honra ou vergonha sempre e somente para aquele do qual provêm e para nenhum outro.
(...)
O princípio da honra cavalheiresca não pode ser algo originário, proveniente da própria natureza humana. Mas de onde vem, então? Manifestamente é um filho daquela época em que os punhos eram mais utilizados que o juízo, em que a padralhada conseguia subjugar e enevoar a razão por completo: a escura Idade Média, o período da cavalaria.
(...)
Muitas vezes, vêem-se pessoas, em geral sensatas e capazes, cometerem seriamente a estupidez de enfrentarem-se, para servirem de alvo umas às outras, e isso porque alguém lhes fez acreditar que a honra o exige?
(...)
Uma formação intelectual mais elevada deveria impedir o homem tanto de insultar quato de golpear, mesmo quando fosse provocado, pois ele entenderia que, de tal modo, colocar-se-ia no mesmo nível dos mais vis e dures e desceria ao campo de batalha da mera natureza animal.
(...)
Um homem sensato pode extravasar sua irritação ou seu desgosto por meio de uma reação proporcional ao fato, mas isso deve ser mais tolerado como fraqueza humana do que como um dever que lhe é exigido para salvar sua honra. E, portanto, se contrariamente ele pensa o suficiente para não se importar, sua honra, em vez de sofrer as conseqüências, poderá até mesmo ganhar com isso.
enviada por El Matador
20/03/2007 16:00
O Russo
Dmitri Visotsky é um homem simples: poucas posses, poucas palavras e pronto. Dá aulas de particulares de russo em sua casa, e isso lhe serve para ocupar seu tempo e pagar suas contas. Faz isso desde que saiu da Rússia há muitos anos. Na Rússia Soviética, a televisão assiste você, ele dizia. Seus alunos não estão muito interessados no idioma, mas o russo é um sujeito simpático e interessante. Seu público arregalava os olhos, outros riam, e todos pensavam sobre Dmitri, a Rússia Soviética e sobre o que ele queria dizer com aquilo. Mas sempre tinha alguém que queria ouvir os conselhos de Dmitri.
Entre uma aula e outra, corria para buscar sua cachorrinha Laika, que pulava a cerca para enterrar seus brinquedos no quintal do vizinho. Dmitri! Tire esse tuo cachorro imundo do meu quintal, gritava o velho. O italiano respirava um ramerrão de palavrões monossilábicos, e quando precisava falar, era sempre por meio de impropérios e aos berros, pouco importava se o interlocutor estivesse a um metro dele. Cantos da boca caídos, sobrancelhas grossas formando uma linha reta na testa, expressão de vilipêndio e a pança redonda vestindo aquela camiseta branca. Parecia que ele usava a mesma camiseta desde que fugiu da guerra. A casa do italiano cheirava tão mal e a mobília estava tão carcomida que o velho preferia mesmo passar os dias no quintal, com sua camiseta branca, uma cadeira de praia e um radinho de pilha. Dmitri dizia que aqueles quatro foram feitos uns para os outros.
Dmitri pula a cerca e Laika corre para ele. Na Rússia Soviética, a cerca pula o cachorro! disse Dmitri com a cadelinha nos braços, mas o velho não queria saber: Va al diavolo con tua Rússia Soviética!, e batia a porta. Na Rússia Soviética, a porta bate em você, resmungou Dmitri, mas não havia ninguém mais para ouvir.
Só assim o velho entrava em casa, quando discutia com Dmitri. Dmitri volta para dentro, e diz para a aluna espantada com a gritaria: Na Rússia Soviética, sempre tem um cachorro buscando você. Depois do alívio, os alunos sabiam que eram essas coisas que faziam valer a pena as aulas de russo.
Na hora do chá de Dmitri, ele pega sua caneca de metal e se senta na varanda onde vê a casa do outro vizinho, que para compensar a do o Italiano, é imaculada. É naquela hora que Júlio Cezar chega do trabalho todos os dias desde que Dmitri chegou ao Brasil. Júlio Cezar, sempre arrumadinho, olhar cansado e carro conservado, chegando todos os dias no mesmo horário. Dmitri lembra de uma vez ele demorou 30 minutos além do costume, e ficou preocupado, mas foi só um pneu furado. Azar, né? ele disse. Na Rússia Soviética, o carro dirige você, consolou-o Dmitri. Todos eram muito educados em sua casa. Até as crianças, que até pareciam meio tristonhas. Hoje em dia não é mais assim, né?, dizia Cezar orgulhoso enquanto afrouxava a gravata. Quando eles se conheceram ele não afrouxava a gravata na presença do Dmitri, mas agora ele se sente totalmente à vontade.
Mas um dia teve uma briga na casa de Júlio Cezar, e sua esposa foi embora junto com as crianças. Quando percebeu que estava ainda mais abandonado que antes, Júlio Cezar então andou até a garagem e ficou olhando para a janela da cozinha de Dmitri, com alguma expectativa. Dmitri só apareceu depois de meia hora para lavar sua caneca. Minha mulher foi embora, né?, disse Júlio Cezar, com as sobrancelhas mais arqueadas que o costume. Dmitri percebeu o que tinha acontecido, fechou a torneira, pensou longamente, fez uma pausa, respirou fundo e por fim disse: Na Rússia Soviética, o homem chato sai de casa..
Se a eternidade parece longa, aquele momento durou duas vezes mais. Ambos se entreolhavam, enquanto Dmitri ansiava pela resposta de Júlio Cezar, e Júlio Cezar via esvaecer sua esperança de ouvir algo de Dmitri que pudesse lhe aliviar a agonia. Está tarde, vou dormir, né? Boa noite. Disse Cezar. Até tu, Dmitri? Naquele instante, Cezar não respondeu a Dmitri sobre seu sábio conselho, mas não dormiu aquela noite, perscrutando as palavras do russo.
O quarto de Dmitri dava de frente para o quintal do Italiano, ele já o ouviu berrar muitas vezes através daquela janela. Mas naquela manhã seria diferente. Dmitri! Hoje io mato tuo cachorro! Esbravejou o velho, dessa vez soava ainda mais febril e atormentado que de costume. Dmitri abre sua janela, ainda de pijama, e vê o velho transtornado, com o rosto vermelho e suado, a pança sambeando, correndo atrás de Laika que latia para o alto e saracoteava pelo quintal, fugindo do velho sem a menor dificuldade. Dmitri chama, e Laika pula a cerca e corre para baixo da janela, arfando e abanando o rabinho. E o Italiano, bufando e arfando mais que Laika, com o dedo em riste, gritava, ameaçava e engasgava ao mesmo tempo enquanto Dmitri sorria cinicamente, o que enfureceu ainda mais o velho: Na Rússia Soviética, a piada ri de você, disse Dmitri, fechando a janela e deixando o velho para fora à beira de um ataque de nervos.
Dmitri está satisfeito. Naquela semana dera bons conselhos aos seus vizinhos, e ele gostava muito de ajudar as pessoas. Mais tarde, naquele dia, na hora do chá, ele senta em sua cadeira, olha para a rua e pensa sobre tudo aquilo que se passava, ouvindo uma sucessão de barulhos estranhos que começavam vindos da casa do Italiano. Ele fica curioso, mas prefere não incomodar mais o velho, e fica ali meditando sobre a rua, os vizinhos e a caneca de chá. Na Rússia Soviética, você esquenta o chá, pensou. Dmitri então percebe que Júlio Cezar está atrasado, e teme que algo lhe tenha acontecido, ou que ele tenha cometido alguma bobagem. A casa dele está muito vazia, e parece um lugar ainda mais triste do que antes.
Dmitri dá uma espiada na rua, e nota que o Italiano jogou quase todos os seus móveis na calçada, e fez uma tremenda bagunça, e a bagunça do Italiano era muito mais interessante que a casa vazia de Júlio Cezar. Dmitri pára e olha longamente para aqueles móveis tão antigos e tão mal tratados, e para a molecada da rua pulando em cima deles. Mais curioso ainda, era ver que no varal estava a camiseta do Italiano, limpa. Dmitri nem se lembrava quando ele tinha lavado aquilo pela última vez, talvez quando o velho ainda não fosse viúvo, quem sabe. Então, sai de casa o Italiano, com uma camisa totalmente cafona, fora de moda e incrivelmente nova. Ei, Dmitri, ele diz acenando, e fazendo um enorme esforço para sorrir. Dmitri sorri e acena em retribuição, imaginando que os músculos de sorrir já quase não existem mais no rosto caído do velho.
Acaba-se o chá e Dmitri vai para dentro, imaginando por onde andaria Júlio Cezar. Dmitri mal dormiu naquela noite, e num desses curtos intervalos de sono acordou com uma batida de carro que o fez pular da cama. Lá fora, tarde da noite, está o carro de Júlio Cezar parado sobre o próprio gramado, com uma roda sobre as flores de sua esposa, e a outra sobre um anão de jardim de cerâmica caído, que se parecia divertidamente com o Italiano. Então Júlio Cezar sai cambaleante de dentro do carro, grita uns palavrões obscenos e vai se apoiando pelas paredes em direção a porta. Em seguida ele nota a expressão espantada de Dmitri do outro lado do muro, levanta a mão e o saúda com um urro grotesco e desafinado. Na Rússia Soviética, a vodka toma você., gritou de volta, e voltou para terminar seu sono.
Como se não bastasse a noite mal dormida, Dmitri ainda é acordado pelo ronco de um caminhão bem em frente a sua casa. Lá fora, alguns homens entregavam móveis novos na casa do Italiano, que estava radiante com sua camiseta limpa e sentado num sofá colocado na varanda que não se parecia em nada com sua cadeira. Buono dia, Dmitri, e foi o primeiro bom dia em vinte e muitos anos de vizinhança. Na Rússia Soviética, a casa arruma você, disse.
Do outro lado da casa, Júlio Cezar ainda não saíra para trabalhar, e o carro continuava naquela situação, e Júlio Cezar devia estar numa situação ainda pior. Enquanto Dmitri admirava o resultado da manobra da noite anterior, o vizinho aparece com o rosto inchado, descabelado e metido num pijama de flanela xadrez que lembrava o Júlio Cezar de antes. Dmitri nunca o tinha visto de pijama, inclusive achava que Cezar poderia dormir de terno e acordar penteado. Ontem eu me diverti muito, né? Fazia tempo, desde faculdade. Dmitri sinalizou afirmativamente com a cabeça e com um discreto sorriso de aprovação, apesar de estar um pouco preocupado com as conseqüências dos divertimentos do vizinho.
Dmitri volta para dentro e coloca água para ferver. Ele lava sua xícara enquanto olha para fora. De volta ao quintal, vê o italiano sorrindo numa cadeira de praia novinha, jogando um graveto que Laika corre para buscar e leva de volta, abando o rabo.
Na Rússia soviética, a vida cuida de você.
enviada por El Matador
06/12/2006 15:31
Gente, tirei esse trecho do livro Lolita de Vladimir Nabokov (página 234), onde o narrador descreve sua amada jogando tênis. Fiquei impressionado com as sutilezas da narrativa. Na história, Lolita tem 14 anos e Humbert (o narrador) passa dos 40, e eles têm um caso.
Como eu entendi que esse trecho contém uma parte significativa da filosofia das artes marciais, troquei todos os tênis por kendo, raquete por shinai e assim por diante. Alguns talvez não estejam familiarizados com os termos específicos, mas ainda assim acho que a leitura vale a pena.
(...)
Mas quão linda era ela ao tecer aqueles delicados sortilégios, na sonhadora execução de seus feitiços, e deveres de casa! Em certas noites atrevidas, ainda em Beardsley, eu também a fazia dançar para mim com a promessa de algum presente ou alguma surpresa; embora aqueles seus saltos triviais, de pernas abertas, mais se assemelhassem aos das chefes de torcida nos jogos de futebol americano do que aos movimentos ao mesmo tempo langorosos e bruscos das estudantes de balé de Paris, os ritmos de seus corpo ainda não inteiramente núbil sempre me haviam dado prazer. Mas tudo isso não era nada, absolutamente nada, quando comparado à indescritível comichão de volúpia que eu sentia ao vê-la lutar kendo a sensação delirante, provocadora, de estar dependurado à borda de um esplendor e de uma harmonia que não eram desse mundo.
Apesar de sua idade avançada, ela era mais ninfeta do que nunca, com seus membros cor de damasco, ao vestir um bogu! Senhores alados! Nenhum além é aceitável se não a incluir tal como a via naquele dia, num dojo entre Snow e Elphinstone, quando tudo era perfeito: o hakama e a o kendogi azuis-escuro, a cintura delgada, os tornozelos também cor de damasco, o men cujos himos lhe cingiam o tenogui e terminavam num nó bamboleante, deixando nua a jovem e adorável nuca adamascada que me tiravam o fôlego, com aquele pubescência e aqueles ossos delicadamente cinzelados, e as costas acetinadas que se afinavam a cainho da cintura. O shinai me custara uma pequena fortuna. Idiota, três vezes idiota! Eu poderia tê-la filmado! E agora a teria comigo, diante de meus olhos, na sala escura de minha dor e de meu desespero!
Antes de iniciar o movimento do suburi, ela costumava imobilizar-se, descontraindo-se por um ou dois compassos de tempo forrado de azul-escuro, e freqüentemente relaxava os ombros algumas vezes ou raspava de leve o pé no chão, sempre sem pressa, sempre desatenta com relação à contagem, sempre alegre como tão raramente o era na vida sombria que levava fora dos treinos. Tanto quanto eu imagine, seu kendo era o ponto mais alto a que pode chegar a arte do faz-de-conta de uma jovem criatura, embora para ela, estou certo, tudo aquilo correspondesse à geometria da mais comezinha realidade.
A imaculada clareza de todos os seus movimentos tinha uma contrapartida acústica no som puro e vibrante de cada batida. Ao penetrar na aura de seu controle, o shinai de alguma forma se tornava mais branco, sua resiliência mais rica, e o instrumento de precisão que Lô aplicava sobre ele parecia infinitamente preênsil e incisivo no momento do contato envolvente. Na verdade, seu estilo era uma imitação absolutamente perfeita do melhor kendo sem quaisquer fins utilitários. Como me disse certo dia Electra Gold (irmã de Edusa e uma jovem sensei notável), enquanto eu me sentava num banco duro e palpitante vendo Dolores Haze fazer gato-sapato de Linda Hall (e perder para ela): Dolly tem um ímã no centro do shinai, mas por que diabos ela tem tão pouca vontade de ganhar?. Ah, Electra, que importância tinha isso, quando Lô era tão graciosa! Lembro que, ao vê-la lutar pela primeira vez, senti-me engolfado por uma convulsão quase dolorosa de plenitude estética. Minha Lolita tinha um jeito especial de dobrar e erguer o joelho esquerdo no início do amplo e elástico ciclo de seu kirikaeshi, quando então se formava e pairava sob o sol por um segundo uma teia vital de equilíbrio entre a ponta do pé de apoio, a prístina axila, o braço luzidio e o shinai puxado bem para trás e ela sorria com dentes cintilantes para o shinai da adversária, no zênite do tênue e poderoso cosmo por ela criado com o único propósito de abatê-lo de um golpe límpido e ressonante de seu dourado chicote.
O suburi de Lô era todo feito de beleza, precisão, juventude e pureza de trajetória, mas, apesar de sua impressionante velocidade, era bem fácil de defender, porque faltava à longa e elegante curva do movimento qualquer efeito ou malícia.
E pensar que eu poderia tê-la imortalizado em tiras de celulóide todas as suas batidas, todos os seus encantamentos, me faz hoje gemer de frustração. Significariam tão mais do que as fotografias que queimei! Os wazas estavam para seu kihon assim como o ofertório está para uma balada poética, pois minha querida havia sido instruída a fazer suriashi com seus pés ágeis, vívidos e descalços. Impossível escolher entre sua batida de kaeshi-do ou de nuki-men: era uma imagem no espelho da outra e minhas entranhas ainda ressoam com aqueles disparos que se multiplicavam num eco cristalino e nas exclamações de Electra. Uma das pérolas do keiko de Dolly era um kote curto que Ned Litam lhe havia ensinado na Califórnia.
Ela preferia o teatro à natação, e a natação ao kendo; insisto, porém, em que, se algo dentro dela não houvesse sido quebrado por mim não que eu o soubesse então! Lô teria, além de seu estilo perfeito, a fome de vencer, transformando-se numa verdadeira campeã. Dolores no Bandeirantes, sobraçando dois shinais. Dolores nas revistas especializadas. Dolores tornando-se sensei. Dolores fazendo o papel de uma jovem samurai num filme de Kurosawa. Dolores e seu marido-sempai, o velho Humbert grisalho, humilde e taciturno.
Não havia nada de errado ou de fraudulento no espírito de seu shiai a menos que se considerasse sua alegre indiferença com respeito ao resultado da luta como uma artimanha da ninfeta. Ela, que era tão cruel e ardilosa na vida de todos os dias, revelava uma inocência, uma franqueza, uma cortesia na colocação dos golpes que permitia a uma kenshi medíocre mas resoluta, por mais canhestra e incompetente que fosse, chegar a vitória com wazas frouxos e sem direção. Apesar de sua baixa estatura, ela cobria os quase cem metros quadrados do dojo com maravilhosa facilidade, desde que entrasse no ritmo de uma longa troca de golpes e conseguisse dirigi-los: mas qualquer ataque abrupto ou mudança súbita de tática por parte de sua adversária a deixava sem defesa. No ponto decisivo que, tipicamente, era mais forte e mais elegante que o primeiro (pois Lô não tinha nenhuma das inibições do vencedor cauteloso) tocava o alto do men com um vibrante acorde de harpa, reverberando para fora do dojo. A pedra preciosa de seu ataque era desviada e posta longe do centro de Lô por uma adversária que parecia ter quatro pernas e empunhar um remo torto. Seus potentes golpes e adoráveis movimentos aterrisavam ingenuamente no inimigo. Repetidamente ela perdia o centro do kamae, o que terminava no ippon da adversária e alegremente simulava decepção assumindo uma postura de balé, a ponta do shinai tocando o chão e o kote direito apoiado no do. Sua graça e suas chicotadas eram tão inócuas que ela não conseguia ganhar nem mesmo de mim, com meu fôlego curto e meu antiquado hidari-jodan.
(...)
enviada por El Matador
09/10/2005 18:51
Mundo Corporate
O Mundo Corporate é um mundo pela metade. Diz-se que é flexível. Quando algo que você faz não faz sentido, então é flexível. Quando outra pessoa faz algo que não faz sentido é incoerente. Quando você acha alguma coisa, é baseado na sua experiência, quando outra pessoa acha alguma coisa é um palpite. Enfim, a vida do corporate é pela metade.
-O cara anda com o nó da gratava meio torto, porque ele trabalha de gravata (é um corporate!) mas trabalha muito, então é difícil manter a pose o tempo todo.
-O cara anda meio despenteado, pelo mesmo motivo.
-O cara tem meia barriga, porque ser saudável (ser saudável é aquilo que aparece nas capas das revistas de "fintness" -> que termo ridículo)tá na moda mas ele trabalha muito e não tem tempo pra fazer exercício em quantidade adequada e comer direito.
-O cara tem meio sorriso, porque ter um emprego feliz tá na moda mas ele trabalha muito e não é nenhum um bon-vivant, que fique bem claro!
-O cara está meio tranquilo, porque até aquele ponto da vida pode se considerar um "profissional de sucesso" (profissional de sucesso é aquilo que aparece na capa da Você S.A.) mas não muito, porque tem que se preocupar se o filho vai cuidar do seu carro, a filha que está entrando da adolescência e ouve Avril Lavigne e outras coisas muito importantes.
-O cara fala meio formalmente, porque ele vai ter um cargo importante algum dia na vida e não pode falar como o Koujiro, mas não muito porque ele não é careta e tem que soltar uns palavrões às vezes.
Em suma, o corporate faz tudo pela metade, não é que ele é incoerente, ele só está buscando qualidade de vida (qualidade de vida é aquilo que aparece nas propagandas de margarina, nas propagandas de leite desnatado ou iogurte)
E o que há de errado com isso? Nada, é só a moda.
enviada por El Matador
09/10/2005 18:47
gen.ta.lha
sf (gente+alha) pej Gente reles, ínfima; plebe, ralé, gentuça. Var: gentaça.
Eu estou farto de coisas da gentalha. Novela, filmes, música, tudo! É de enlouquecer.
Por exemplo, a novela nova: América. O que eles querem com aquilo? Percebi que nas novelas as famílias ricas vivem brigando entre si por causa de dinheiro ou porque o patriarca trabalha demais e não tem tempo pra família ou porque a mãe perua não consegue mais afogar as mágoas nas compras (não por falta de dinheiro). As famílias pobres são sempre felizes e unidas, fazem muitas festas na comunidade e adoram um boteco em comum cujo dono(a) lança um bordão a se tornar moda na vida real.
Enfim, eles têm idéias boas, mas como é feito pra gentalha tem que ser muuuuuuito bem explicado, senão ninguém entende porra nenhuma. Por exemplo, na novela nova tem uma perua que faz vista grossa às escapadas do marido e fala abertamente que homem tem que ter dinheiro e que ela quer saber mesmo é da grana e tal. Claro que tem muita mulher assim, mas duvido que uma só assuma esse tipo de pensamento, mas a personagem é super decidida e esclarecida. Tem que ser assim pra gentalha entender, não dá pra fazer isso de uma forma sutil? Por exemplo, a perua em questão não precisa nem assumir sua posição nem pra ela mesma (que é o que acontece na prática), vou dar uma dica: a mulher flagra o marido com a amante num restaurante, ela está dentro do seu carrão. Então ela pega a bolsa e vai descer do carro em direção ao restaurante para armar o maior barraco, mas aí ela olha pra bolsa, para o carro, dá um suspiro olhando pra baixo e volta pra casa. Pronto, foi passada a idéia.
Outro exemplo, a amiga dela é uma tapada ridícula, também combina muito com a imagem da típica perua. Quando essa flagra o marido com a amiga da filha ela diz: "Você me deve muito! Você não vai sair assim da minha vida." Juro que eu amei essa frase, como asism o cara deve algo pra ela? O que ela deu pra ele para exigir algo em troca? E o que ela espera que ele dê? Podiam tem explorado isso um pouco mais, mas a gentalha não entende, talvez até quem escreveu não tenha idéia do que tenha feito.
Mais um: O cara que está comendo a amiga da filha foi inquirido pela ex-amante (agora aliada da ex-esposa) sobre suas novas estripulias sexuais. Ela disse "Você me ama! Isso que você está fazendo não é por amor, isso não tem futuro!". Pobre escritor perdeu a chance de colocar como fala do nosso garanhão as palavras: "Foda-se! Estou comendo e estou gostando, e daí que não tem futuro? Eu estou curtindo agora e beleza!" Mas NÃO! A resposta dele foi: "Sim, eu estou amando! Isso é amor!" Eles querem mostrar que no final o cara estava errado.
Ah, se me dessem esse texto para revisão eu faria a melhor novela da história, e com os menores índices de audiência também.
Tem mais, tem uma vilã na novela que é a chefona do mal. Ela chora vendo notícias tristes na TV só para impressionar os amigos, que, é claro, nem desconfiam que perto dela o Bin Laden é um anjo de candura. Só na novela mesmo.
Se tem uma coisa boa de ver novela é depois ver o Casseta & Planeta, os caras sempre mandar umas piadas boas sobre a novela. Por exemplo, o galã que come a amiga da filha é o Edson Celulari, e eles ficam zoando o topete dele, até quando o cara teve infarto aparece ele com o topete intacto no hospital e no Casseta o sujeito manda "o que importa é que meu topete continua lindo". Aiai, eu si divirto.
Que mais, vamos ver, tem as músicas da ralé também. Muita bunda e barulho para encher os cérebros vazios do povão. Até a bunda music considerada mais elitizada como Ivete Sangalo é usada em circunstâncias curiosas. Por exemplo, as letras sempre falam de "paixão verdadeira", "morrer de amor" e etc. Até aí beleza, mas as músicas são tocadas nos trios elétricos sob os quais as tropas de jovens felizes vão trocando saliva com todo mundo que passa pela frente. Nada contra nem a música, nem a pilança que rola lá embaixo, mas os dois juntos acho que não tem nada a ver. Eu lembro de um caranaval em que ficamos na varanda tomando whisky e ouvindo jazz, muito mais elegante que a "população" que se matava lá embaixo atrás de um trio elétrico debaixo de chuva. Pra que isso? Frio, chovendo, ventando e muito barulho, mas tinha um monte de gente com guarda-chuva indo pra lá e pra cá, será que eles têm a menor idéia do que estão fazendo? Ou será que eles simplesmente não têm opção? Será que se eu oferecer pra eles "olha, tem uma piscina aquecida (e muito) aqui, e uma música boa, e uma bebida boa, e vamos falar de coisas interessantes" o que eles fariam? Que tipo de ser humano prefere o desconforto? Vai entender! Eu é que não entendo.
Eu não sou chato, é que eu gosto de coisa boa.
Mais uma coisa que me deixa puto, inclusive eu estou começando uma campanha para combater esse hábito escroto: Nego que mistura tranqueiras com bebidas boas para conseguir encher a cara. É foda, não gosta de beber não bebe porra! Uma pesquisa mostrou que 70% dos que bebem o fazem para ficar bêbados, não pelo prazer de apreciar uma boa bebida. Pra que ficar bêbado? Para suportar o frio e o desconforto de se matar sob o trio elétrico? Olha só, em todas as grandes guerras os comandantes distribuiam bebidas aos soldados antes do combate. No dia D por exemplo (Alguns regimentos amargaram mais de 50% de baixas, a maioria antes de dar um tiro) gente que nunca bebeu na vida encheu a cara de whisky (era fornecido aos soldados à vontade). Alguns que nunca botaram um cigarro na boca começaram a fumar depois daquele dia. O estado de torpor ajuda a superar as dificuldades, dizem que por isso é que na idade média todo mundo bebia o tempo todo.
Eu ia dizer que fiquei puto e fui motivado a criar a campanha depois que vi uma amiga minha enxugar o resto de uma garrafa de Jack Daniel's e tacar guaraná em cima. O restinho da garrafa foi duramente sacrificado. Isso dói.
Antes de continuar uma mensagem: Denuncie maus tratos contra bebidas de qualidade.
Mas isso de beber sem gostar, guerras e axé tem tudo a ver. Dizem que os soldados quando estão treinando querem ir pro combate, quando estão no combate querem ir pra casa e quando estão em casa queriam estar treinando.
Falando de axé de novo, porque no fim das festas de formatura, quando tá todo mundo de bode aparece uma banda de axé para atormentar mais ainda? Quando você quer tomar um café e ouvir uma música tranqüila aparecem aqueles cretinos, me poupem! E muita gente vai para o front, digo, para a pista (o que dá quase no mesmo). O que eles querem provar com isso? E eu que quero ficar em paz sou perseguido e atacado pelos que dançam e acusado de deserção. Não entendo de onde vem essa vontade sem fim de dançar até ser expulso pelos seguranças, o que faz sentido pra mim é que qualquer ser humano as 5 da manhã queira descansar. Nem soldados de verdade são obrigados a lutar durante tantas horas seguidas.
Mudando um pouco de assunto, mas falando ainda da gentalha, uma amiga minha foi ao show da Avril Lavigne. Vou dizer que eu gosto da Avril Lavigne, as letras são mais ou menos interessantes, legal pra molecada. É sério. O foda é que essa amiga tem quase 30 anos, eu tentei explicar pra ela algumas coisas relacionadas à idade e tal. Eu acredito que a gente deva se tornar mais inteligente quando envelhece, mas não sei se isso acontece. Enfim, ela me chamou pra ir com ela no show, e a resposta (óbvia) foi não. Mas disse que iria se ela fosse ver o Megadeth, e ela disse que não dizendo que era muito barulho. Curioso, aquelas guitarras agudas que estão na moda da Avril Lavigne com a distorção no talo são muito mais barulhentas que até o Slayer, sendo que a masterização da música é feita pra ela ficar mais barulhenta ainda. Não vou entrar em detalhes, mas ela falou isso e provavelmente nunca ouviu uma música do Megadeth. Quanta injustiça. Eu expliquei isso pra ela, que confessou "mas eu sei cantar as músicas". Isso é como colocar guaraná no whisky, não é pra quem gosta de musica, é pra quem não tem nada melhor pra fazer. Deixa pra lá, é melhor assim porque desse jeito eu posso comprar ingressos para o show por R$35, sem fila nem porra nenhuma. E o público em geral é um pouco mais educado, ouve a música e canta só quando o vocalista os incita a cantar ou nas partes feitas pra isso.
Falando ainda de público, hoje eu sei porque não virei músico profissional, pelo menos uma vez na vida tomei a decião certa. Público é uma merda, com "M" de Pátio da Vila. Fui ao show da Laura Pausini, que é uma cantora realmente espetacular, nunca ouvi nada parecido, infelizmente as outras milhares de mulheres no lugar achavam que cantavam como ela e poderiam fazer concorrência. E cantavam todas as músicas inteiras, é de enlouquecer. Elas não vão lá ouvir a mulher cantar, parece óbvio, mas não é isso, e eu não sei pra que elas vão lá, se você gosta tanto de cantar, cante no chuveiro, caralho.
Parece que todo o esforço da maioria das pessoas que consomem é de consumir sem consumir, não sei pra que isso, mas acho que é. Você vai num show e canta junto, você põe whisky no copo e taca energético em cima, você vai ao cinema e assiste o que está no horário, você compra fast food porque a propaganda diz que "a vida é boa" (porque o sanduíche é uma merda) e foda-se.
Eu odeio a gentalha, mas preciso deles pra me sentir inteligente.
enviada por El Matador
02/08/2005 23:47
Está passando Steel - O Homem de aço, homem de aço tem que ser eu pra aguentar esse filme, mas se eu não assitir eu não vou poder falar mal. Falando nisso, essa vida de desempregado tem uma hora que enche o saco. Ainda mais ficar num quarto bagunçado como esse. Eu não tenho nada pra fazer, mas não é que eu também vá arrumar o quarto. Hoje (mais uma vez) estive nesses testes psicológicos, pagaram o RH, agora tem que fazer. E tinha perguntas do tipo "você fez coisas sexuais que a sociedade não aprova?". USHI! Fala sério. Se eu dei o toba ou fiz suruba ou comi alguém no banheiro do escritório o que isso tem a ver com minha competência pra trabalhar? É melhor nem imaginar o que eles estão imaginando.
Amanhã deve sair resposta de outro emprego, se não me enrolarem de novo, acho que estão convencendo o sobrinho do diretor, caso ele prefira continuar a jogar tênis a fazer compras na Deslu aí quem sabe eles me chamem?
Putz, esse filme é um lixo, agora o Steel tá batendo nos mexicanos arruaceiros, esses americanos devem odiar os mexicanos, em todo filme os bandidos lafranhudos-mão-na-bunda têm essa cara de mexicano. Agora ele está fugindo da puliça. Se ele não fugiu dos mexicanos por que raios vai fugir da puliça? "Você está interessado no nosso novo microchip de alta tecnologia?"
Aiai, estou a fim de um sanduba-duba de mortadela...
enviada por El Matador
22/07/2005 12:14
Vai dormir com um barulho desse. Eu hein?! Olha que a coisa tá ficando preta. Se a engenharia tá mal eu quero ser internado em outro lugar. Nepotista eles? Sei lá. Mas tem um cara lá que é indicado do dono, e se chegar atrasado leva bronca e umas palmadinhas no bumbum.
Assim parece coisa de mau perdedor, mas fazer o que? Já que eu caguei e sentei em cima, agora tenho que limpar. Como diria o (grande gênio da MPB) Falcão: "É melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso."
Virgem Santa! Vai lá ver como é. Nem todas as empresas são iguais. Ou são. Vai saber. Outro dia me disseram que era competitivo, e eu disse "mas aí enquanto seu colega não vai embora você também não vai?". A cara de cu foi geral. Claro que não vão me chamar, acho que sou um tipo de comunista lá.
Essas últimas semanas foram de lascar, entrevistas, provas, formatura, dinâmicas (micagens) e outra palhaçadas. Isso é estressante. Preciso de uma pinguinha.
enviada por El Matador
21/07/2005 11:33
E lá vou eu de novo. Cada uma que aparece. Ontem estive em outra empresa, um desses bancos aí. O sujeito me diz que lá fica o tempo todo todo mundo querendo aparecer no trabalho, e que ele perdeu a conta de quantas pessoas demitiu nos últimos anos. Ah, por isso o pessoal mais baixo que passou por lá antes tinha aquela cara de que parecia apanhado no bumbum. Tá certo. Imagino que se alguém se presta a arrancar-lhe o pâncreas e você se vira pra ele outro apressa-se em comer-lhe o cu. Que legau! Isso é que é "desafio proficionau!"
Tudo bem, já que em outro lugar vasculham as contas da minha família pra ver se eu não tenho um tipo de "gene calhorda" ou coisa assim. Vai saber. Não basta eu ser perfeito pô? Minha família tem que ser também?
Essa coisa de ser perfeito cansa. É duro de aguentar. Aí às vezes eu começo a rir. Junto comigo ontem havia um sujeito do ITA. Nada contra o ITA. O cara era legal. Mas ele perguntou para o entrevistador "aqui o pessoal vai pros barzinhos ou é só trabalho?" e o entrevistador respondeu "ele acha que ainda tá no ITA". Coitado. Depois, no segundo lote de entrevistas o cara diz que procurava vencer desafios constantes e ver resultados, e o outro entrevistador disse "ele acha que ainda tá no ITA". Será que é um mal da profissão ou é clichê do escritório? Coitado do cara de novo. Fica todo mundo rindo dele. Só porque ele é esquisito. Fora isso é um cara legal. Eu sei que também sou esquisito.
Depois do mico que eu paguei em certas entrevistas por aí, não ia mais fazer isso. Deixe que os outros paguem mico. Vou ser perfeito e pronto, mais fácil. Digo, é difícil, mas é mais fácil que pagar mico. Alguns micos custam caro. E me irrita pagar caro por qualquer coisa. Mais de 10 reau em geral é caro.
Mudando de assunto, outro dia vi um livro pra vender que chama "como me tornei estúpido". Não sei direito sobre o que é, mas acho que o cara fala como é difícil não ser estúpido numa sociedade que te cobra um padrão e te oferece a massificação em troca. Legau. Mas quem é ele pra pensar que não é massificado? Criticar a massificação é clichê. E clichê não é algo lá muito prezado pelos intelectuais. Mas os intelectuais são muito pretenciosos para achar que são intelectuais. Ah, isso tá ficando complexo. Falar que os intelectuais se acham intelectuais é clichê. Deixa pra lá. Mas vou comprar o tal livro, qualquer dia. É mais barato que um mico.
Falando em livros, ando lendo bastante sobre a guerra. Ninguém fala mal da guerra porque morre gente, falam mal da guerra porque não faz sentido. Em um deles o cara fala assim: "Dizem que os alemães estupram as belgas, e daí? Querem nos convencer a nos alistar através disse. Por que eu vou me alistar para defender as belgas? Eu nem sei se defenderia as mulheres daqui! Digo, talvez defendesse, mas seria mais para não passar vergonha do que pelas mulheres."
Aiai...deixa eu tomar um arzinho aqui...
Enfim, semana que vem lá devo ir eu de novo. Essa vida de procurar trabalho é mais trabalhosa que trabalhar, mesmo que isso não seja trabalho mesmo.
E o mensalão hein? Uhhh...Roberto Jefferson devolveu ao povo o prazer pela política. Eu nunca pensei que fosse gostar de assistir depoimentos em CPI. Benzadeus!
Os parágrafos estão ficando curtos, isso quer dizer que está acabando a vontade de escrever. Está acabando o assunto também. Pronto, acabou.
enviada por El Matador
01/07/2005 14:43
De volta à velha vida.
Ah, escrever no blog é muito bom, estava com saudades. Nesse tempo todo estive por aí, escrevendo no orkut, no corporate (salvou minha vida), fazendo provas, entrevistas de emprego, bebendo e eventualmente trabalhando.
Essa vida cansa, tá loco, dar murro em ponta de faca o dia inteiro é de matar. A gente fica se arrastando pra lá e pra cá e não vê resultado, só vem banzo sobre banzo.
Mas estamos aí, entre um post e outro, entre um e-mail e outro.
Lembrando do grande mestre Seu Madruga: "Já estou acostumado com os golpes que a vida me dá." Eu acho que não estou, e começo a ficar com medo dos que vêm pela frente (e principalmente por trás, ushi!).
Dinâmica de grupo: assim como não se passa, se passa.
Aiai...deixa eu tomar um fôlego aqui...
enviada por El Matador
31/01/2005 08:54
Esse show vai bombar!

enviada por El Matador
27/10/2004 14:03
Sim, tá certo.
Depois dessas eleições eu definitivamente me revoltei. E já que começou o assunto eu vou desabafar.
Mas o que é política afinal? Política é ir votar? É estudar propostas? Não. Política é aquilo que você faz nas festinhas de família, você está com o saco cheio da sua tia perguntando se você não vai arrumar namorada, dos seus primos pentelhos e passando mal da comida, mas você mantém um sorriso. Pra que? Pra agradar. Porque você espera receber algo em troca.
E o que é o político? Político é o cara que até beija criança com coriza em troca de alguma coisa. Todo mundo faz política. Por que? Atender seus interesses. Você trabalha com gente que você talvez odeie, porque precisa do emprego. Você diz que a comida tá boa, pra não ser desagradável e etc. Você se contraria e suporta coisas desagradáveis em troca de outra.
Política é algo nojento. Mas é algo que se faz em troca de algo que lhe interessa. Política é um mal necessário, pois não se pode ser honesto e sincero o tempo todo (pro seu próprio bem).
E o que tem a ver com eleições? Porque esses políticos fazer qualquer coisa pra ganhar e eleição. É difícil entender. Ser prefeito não deve ser tão bom assim. Os caras gastam fortunas para ganhar uma eleição. Os caras se aliam a qualquer filho-da-puta que quiser apoiá-lo. Eles beijam mendigo, se precisar, eles comem merda. Qualquer coisa pelo poder. A propaganda política é mais baixaria que a TV de domingo. Os marketeiros escrevem textos ambíguos e mentirosos, mas os políticos se submetem a qualquer coisa pra ganhar a porra da eleição.
Eu pensei muito sobre outras formas de se minimizar isso, que é um prejuízo imenso pra sociedade (social e financeiro). Pensei em coisas como "proibir propaganda política" ou "acabar com o voto obrigatório" e etc. Qualquer coisa vale pra gente mudar esse sistema que existe, que é nojento.
Se eu sou um ignorante político? Nem fodendo. Só porque eu não sou militante de nenhum filho da puta desses não quer dizer que eu seja um ignorante. Eu não escolho candidato pra torcer, pra isso serve o futebol.
E vocês querem saber que conclusão eu tirei? Eu vou dizer, democracia é uma piada. Na grécia, tudo bem. No mundo de hoje é uma piada. Que história é essa de o povo avaliar as propostas e escolher o melhor? Eu não entendo porra nenhuma de saúde pública, como eu poderia avaliar uma proposta de saúde pública? Quem tem que saber o que é o melhor são eles!
Ah, vai me acusar de defender a ditadura? Nem fodendo. Ditadura ainda é pior.
Eu não sei como mudar isso. Mas democracia não dá! Porque o que ganha na demogracia não é o povo, não é a melhor proposta e não é o melhor canditado. Ganha que sorri mais alto e contrata o melhor marqueteiro.
Obrigado, me sinto melhor.
E quero dizer mais: quem presta um serviço mais útil pra sociedade: a puta ou o banqueiro? E quem ganha mais? Que dizer do lixeiro?
enviada por El Matador
08/10/2004 14:27
Minha nova campanha:

enviada por El Matador
24/09/2004 17:56
Projeto Chicão.
Há umas semanas atrás li um desses romances de banca, tipo Sabrina. Aliás, era Sabrina mesmo. A história chamava "Uma conquista difícil", mas o título original era "Falling for the Sheik". Sim, é Sheik mesmo o que você leu. Já explico a história, mas algumas coisas chamam a atenção e que é interessante notar, antes de se falar da própria história.
Por exemplo, os personagens são lindos, sarados e milionários. Mas isso não era suficiente. Além de lindos, sarados e milionários eles representam algum tipo de fetiche. E mais, informações sobre seus rostos, corpos e contas bancárias não são revelados assim de cara no começo do livro, eles são revelados aos poucos, para torturar delicadamente a leitora. Devo dizer que aquilo é pornografia para senhoras, porque acho que nenhuma menina hoje em dia lê aquilo, acho. Enfim, deixe-me falar do negócio. Um livro desses representa o pensamento das mulheres que sonham com príncipe encantado, se é que isso ainda existe. Em outras palavras, esses romances são um tapa-na-cara do pensamento feminino típico.
Outro fato interessante: apesar de os personagens serem lindos, sarados, milionários e serem algum fetiche eles encontram algum problema antes de se apaixonarem e viverem felizes para sempre. Claro, senão não ia dar história!
Estudo de caso: o livro que eu li falava da história de uma enfermeira (fetiche) que tinha que cuidar de um Sheik árabe (sim, um Sheik) que tinha sofrido um acidente esquiando. Bom, aí já viu: o cara todo machucado e a enfermeira ficava cuidando dele. Mas nada de hopital! Eles estavam num chalé à beira de um lago (super-ultra-hiper romântico) com lareira e tudo mais. Afinal, o cara é um Sheik rebelde e queria ficar num hospital. Pra atrapalhar o caso dos dois, a enfermeira acabava de sair de um relacionamento onde ela foi enganada por um médico que era casado e o Sheik estava superando a morte de uma então namorada.
E tem mais, além de LSMF ("lindos, sarados, milionários e com algum fetiche", fica valendo a sigla) os personagens são muito inteligentes, animados, comunicativos e cheios de vida. Continua
valendo a sigla.
E vou confessar, o negócio é bem escrito, eu até acabei me envolvendo! Eu ficava excitado só de ouvir as descriçoes da enfermeira ("colocou seus braços ao redor da cintura fina", "não sei o que suas coxas grossas", "blá blá blá seus cabelos") e cada pouco entregava-se um detalhe do exuberante, bem torneado, cheio de curvas, alto, esbelto corpo da enfermeira. Devia ser um tesão! Ah, claro que eles falavam do corpo do Sheik também, mas não preciso ficar descrevendo...
Ah sim, e o livro acaba com o pedido de casamento, num restaurante francês (claro) quando o Sheik entrega um anel de diamantes (caríssimo e lindo, segundo a descrição do próprio livro) para a enfermeira.
E qual é a graça? Bem...é muito engraçado. Fico imaginando que tipo de gente lê isso. Dá pra perceber que o livro exalta caricaturizando muito um pensamento típico das mulheres (não queria ter que dizer isso).
Eu não pretendo ler mais nenhum desses, o negócio é tão entregue que não desperta mais curiosidade nenhuma, aquilo serve mesmo pra se manter alienado, lendo um após o outro. E esquecer que os homens do mundo reais estão bem longe de serem LSMF.
Eis que surgiu o Projeto Chicão.
A idéia inicial era criar um romance de banca pra homem. Tipo, algo que representasse o pensamento masculino e que esculhambasse com isso. Algo que degradasse a imagem do homem típico.
Algo que destruisse os valores e a moral masculina.
Bem a idéia está feita. Mas, como fazer agora? Criamos o sonho masculino. Mas o que seria a história? Um cara que é muito fodão e come uma por noite? Não sei. Acho que isso ia provocar mais inveja e desgosto do que algum prazer na leitura...ou transmitir alguma mensagem.
Talvez seja melhor transmitir uma idéia, alguma mensagem. Eu posso criar um homem típico, destruí-lo e no fim nasceria um novo homem, mas seguro, confiante e independente de seguir padrões externos. Não é pegar um cara normal e transformá-lo num metrossexual, isso seria ridículo. Não é pra tirar um cara de um padrão e pôr em outro!
Enfim, a Sabrina coloca o sonho da mulher lá, escancarado. E isso deve dar um desgosto terrível para as mulheres que a lêem, porque depois de ler a mulher vai à rua e vê homens do mundo real.
Das duas uma: ou ela se afunda na Sabrina (pior), ou reconhece que o mundo é assim e aceita isso (melhor), ou ainda fica deprimida por o mundo ser assim (médio).
Eu não quero provocar esse desgosto nos meus leitores.
Então, acho que serão 3 fases a história:
1) Criação do homem-típico
2) Destruição do homem-típico
3) Nasce um "novo-homem"
O difícil vai ser na hora que nascer o tal novo-homem. A gente pode criar vários padrões do homem-típico. Mas como seria o padrão desse homem evoluido? Óbvio que não existe padrão pra isso. Ainda preciso pensar...
Na verdade eu já tenho os personagens. Fica pro próximo post.
enviada por El Matador
06/09/2004 03:18
Algumas coisas são difíceis de entender. E a gente deve gastar tempo com elas, e não deve ficar nunca satisfeito com as respostas. Os problemas devem ser coisa de estimação, algo que tem que fazer parte da gente. Resolver problemas e achar que estamos com as respostas prontas é cagada, principalmente porque não existe resposta certa pra nada, nem resposta errada.
Algumas coisas são difíceis de dizer. Mas aí é pior, porque os problemas você carrega pra sempre, mas e as coisas que você tem que dizer? Se passar o momento, o momento é perdido. Se o momento nunca vem, o que você ia dizer é perdido. Eu tenho uma amiga que nunca sorri, nunca (acho que ela tem vergonha do aparelho). Um dia eu ia pedir pra ela sorrir pra eu ver, mas nesse dia ela apareceu sorrindo e eu fiquei besta. Ela usa aparelho mas tem um sorriso lindo, que eu nunca mais vi desde então. E eu não pedi pra ela sorrir, o que eu ia dizer foi perdido. Tudo bem, não precisou. Mas agora eu tenho que pedir pra ela sorrir mais, porque um sorriso daquele não é pra ficar escondido. Mas se eu não falar, ela nunca vai saber.
Algumas coisas são difíceis de fazer. E aí é que fudeu. Como fazer o que tem que ser feito? AHAHAH! Sacaneei. Essa é a pergunta errada, e é o que todo mundo se faz. É fácil saber o que fazer, quando você sabe o que quer. Não seja idiota, saber o que quer não é decidir o que quer. O que você sabe, você simplesmente sabe, não precisa procurar respostas. Sacou?
enviada por El Matador
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