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24/09/2004 17:56
Projeto Chicão.
Há umas semanas atrás li um desses romances de banca, tipo Sabrina. Aliás, era Sabrina mesmo. A história chamava "Uma conquista difícil", mas o título original era "Falling for the Sheik". Sim, é Sheik mesmo o que você leu. Já explico a história, mas algumas coisas chamam a atenção e que é interessante notar, antes de se falar da própria história.
Por exemplo, os personagens são lindos, sarados e milionários. Mas isso não era suficiente. Além de lindos, sarados e milionários eles representam algum tipo de fetiche. E mais, informações sobre seus rostos, corpos e contas bancárias não são revelados assim de cara no começo do livro, eles são revelados aos poucos, para torturar delicadamente a leitora. Devo dizer que aquilo é pornografia para senhoras, porque acho que nenhuma menina hoje em dia lê aquilo, acho. Enfim, deixe-me falar do negócio. Um livro desses representa o pensamento das mulheres que sonham com príncipe encantado, se é que isso ainda existe. Em outras palavras, esses romances são um tapa-na-cara do pensamento feminino típico.
Outro fato interessante: apesar de os personagens serem lindos, sarados, milionários e serem algum fetiche eles encontram algum problema antes de se apaixonarem e viverem felizes para sempre. Claro, senão não ia dar história!
Estudo de caso: o livro que eu li falava da história de uma enfermeira (fetiche) que tinha que cuidar de um Sheik árabe (sim, um Sheik) que tinha sofrido um acidente esquiando. Bom, aí já viu: o cara todo machucado e a enfermeira ficava cuidando dele. Mas nada de hopital! Eles estavam num chalé à beira de um lago (super-ultra-hiper romântico) com lareira e tudo mais. Afinal, o cara é um Sheik rebelde e queria ficar num hospital. Pra atrapalhar o caso dos dois, a enfermeira acabava de sair de um relacionamento onde ela foi enganada por um médico que era casado e o Sheik estava superando a morte de uma então namorada.
E tem mais, além de LSMF ("lindos, sarados, milionários e com algum fetiche", fica valendo a sigla) os personagens são muito inteligentes, animados, comunicativos e cheios de vida. Continua
valendo a sigla.
E vou confessar, o negócio é bem escrito, eu até acabei me envolvendo! Eu ficava excitado só de ouvir as descriçoes da enfermeira ("colocou seus braços ao redor da cintura fina", "não sei o que suas coxas grossas", "blá blá blá seus cabelos") e cada pouco entregava-se um detalhe do exuberante, bem torneado, cheio de curvas, alto, esbelto corpo da enfermeira. Devia ser um tesão! Ah, claro que eles falavam do corpo do Sheik também, mas não preciso ficar descrevendo...
Ah sim, e o livro acaba com o pedido de casamento, num restaurante francês (claro) quando o Sheik entrega um anel de diamantes (caríssimo e lindo, segundo a descrição do próprio livro) para a enfermeira.
E qual é a graça? Bem...é muito engraçado. Fico imaginando que tipo de gente lê isso. Dá pra perceber que o livro exalta caricaturizando muito um pensamento típico das mulheres (não queria ter que dizer isso).
Eu não pretendo ler mais nenhum desses, o negócio é tão entregue que não desperta mais curiosidade nenhuma, aquilo serve mesmo pra se manter alienado, lendo um após o outro. E esquecer que os homens do mundo reais estão bem longe de serem LSMF.
Eis que surgiu o Projeto Chicão.
A idéia inicial era criar um romance de banca pra homem. Tipo, algo que representasse o pensamento masculino e que esculhambasse com isso. Algo que degradasse a imagem do homem típico.
Algo que destruisse os valores e a moral masculina.
Bem a idéia está feita. Mas, como fazer agora? Criamos o sonho masculino. Mas o que seria a história? Um cara que é muito fodão e come uma por noite? Não sei. Acho que isso ia provocar mais inveja e desgosto do que algum prazer na leitura...ou transmitir alguma mensagem.
Talvez seja melhor transmitir uma idéia, alguma mensagem. Eu posso criar um homem típico, destruí-lo e no fim nasceria um novo homem, mas seguro, confiante e independente de seguir padrões externos. Não é pegar um cara normal e transformá-lo num metrossexual, isso seria ridículo. Não é pra tirar um cara de um padrão e pôr em outro!
Enfim, a Sabrina coloca o sonho da mulher lá, escancarado. E isso deve dar um desgosto terrível para as mulheres que a lêem, porque depois de ler a mulher vai à rua e vê homens do mundo real.
Das duas uma: ou ela se afunda na Sabrina (pior), ou reconhece que o mundo é assim e aceita isso (melhor), ou ainda fica deprimida por o mundo ser assim (médio).
Eu não quero provocar esse desgosto nos meus leitores.
Então, acho que serão 3 fases a história:
1) Criação do homem-típico
2) Destruição do homem-típico
3) Nasce um "novo-homem"
O difícil vai ser na hora que nascer o tal novo-homem. A gente pode criar vários padrões do homem-típico. Mas como seria o padrão desse homem evoluido? Óbvio que não existe padrão pra isso. Ainda preciso pensar...
Na verdade eu já tenho os personagens. Fica pro próximo post.
enviada por El Matador
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