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10/05/2007 15:22
A visita do Papa
Se o Papa vai para o céu por praticar o bem, esse Papa precisa praticar mais. É necessário que o mal que me foi causado ontem pela sua visita seja reparado. Fiquei uma hora espremido no metrô para percorrer um trecho que me leva aproximadamente a metade desse tempo.
Quem é esse sujeito? O que é um homem religioso?
Eu vou dizer.
Um homem religioso é alguém que jogou a vida fora. É alguém que viu o mundo passar na sua frente mas não conseguiu fazer parte dele. É um ressentido por causa disso, que encontra como meio de existir matar os que estão vivos, reprimir o que estão livres. Tudo o que há de divertido, vivo e alegre esses sacerdotes se põem contra. E um deles, só um, que se destaca dos outros pela sua ambição e seu cinismo vem para cá e causa esse frenesi febril e atormentado no continente inteiro. Hoje ele pode olhar para fora, ver tudo o que ele perdeu e acenar para a gentalha. E fica a ralé em pé e desconfortável só para olhar para um sujeito que é contra o uso da camisinha, que é contra o aborto e que em geral pensa que um ser humano é uma propriedade (ovelha) daquele que ele chama de deus, quando era ele mesmo que queria ser o próprio deus. Veja bem, ele quer reduzir o ser humano a uma ovelha.
Hoje ele deve estranhar o conforto em que vive e a multidão que ele arrebanha. Um inútil que nunca fez nada sobre sua vida: nem beijar uma menina, nem melhorar efetivamente a vida de ninguém. A visita do papa é como uma copa do mundo: uma enorme demonstração de fé e de união, e que quando termina continua tudo a mesma merda. A ocupação de um Papa consiste em pedir a paz no mundo e falar contra o sexo. Mas eu aposto que ele batia sua punhetinha escondida quando a natureza o chamava, isso considerando que ele não imolava crianças com sua bendita rola papal. Não tem jeito: o sexo e o dinheiro movem o mundo. Para alguns move para a frente (a maioria) e para outros move para trás (religiosos em geral). Por mais que falem da fé e do amor e de sei lá que bosta, o sexo e o dinheiro movem o mundo. Aliás, a fé é algo que depositamos sobre aquilo que possa nos gerar sexo e dinheiro (ou poder em suas diversas formas).
Eu pregava o ateísmo e o agnosticismo como meio de vida. Uma forma de superar alguns demônios e seguir em frente, rumo a uma vida mais elevada. Mas hoje acho que mudei um pouco de idéia, já que quando se é ateu se tem aquela sensação constante de ser zombado. Por exemplo, quando se está apertado no metrô com a turba bufando na sua cara e pisando no seu pé por causa de um velho pedófilo que vem da casa do caralho dar tchauzinho para a gentalha frenética de dentro de um aquário em cima de um carro. E tudo isso porque dizem que desceu um judeu do céu para ser crucificado por causa dos meus pecados. Dizem inclusive que existem os pecados. Isso só pode ser brincadeira.
Nós apostamos em deus, não deu certo. Apostamos na seleção brasileira, não deu certo. Apostamos no Lula, não deu certo. Apostamos no Ipod, não deu certo. Vem aí o second-life! Francamente, vá para a puta que pariu!
enviada por El Matador
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